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Ubatuba: Onde o Sol Nasce em Versos (e a gente vive de improviso e perrengue)


Ubatuba: Onde o Sol Nasce em Versos. Já ouviu dizer que as melhores memórias nascem do caos? Pois bem, eu e o Carlos temos uma regra de ouro: se um sugere uma loucura, o outro não só assina embaixo, como já corre para socar a vida dentro de uma mala. Fomos para Ubatuba sem roteiro, sem planejamento e com absolutamente zero noção de logística. O resultado? Uma das experiências mais gratificantes (e engraçadas) das nossas vidas.


O Momento da Loucura e o "Assalto" na Rodoviária


Tudo começou numa sexta-feira qualquer, naquele clima pós-trabalho em que o cérebro já está em modo "descanso de tela". Decidimos ir e pronto! Corri para comprar as passagens pelo site #deonibus (super prático, fica a dica, mas não me pergunte como o algoritmo nos aguentou) e pagamos a empresa de ônibus Pássaro Marrom.


Poucas horas depois, lá estávamos nós no Terminal Tietê para o embarque das 23h. O Tietê à noite parece um cenário de filme pós-apocalíptico, onde os únicos sobreviventes são as pombas e as filas eternas do Bob’s. Como a fila do hambúrguer parecia a do INSS, fomos para os quiosques centrais e descobrimos o verdadeiro significado de "preço abusivo": R$ 12,00 por uma lata de refrigerante. Sim, paguei o preço de uma reserva de petróleo em 350ml de líquido gelado. Alô, Governo de SP, vamos rever essa infraestrutura? Porque nada justifica esse "assalto" à mão armada (de canudinho). Embarcamos e, milagrosamente, o ônibus era ótimo — minha rinite (Victor), que é mais exigente que crítico de hotel, nem deu as caras.


Chegada "Piloto de Fugitivo" e o Rolezinho da Madrugada


A previsão era chegar às 5h, o horário perfeito para um café digno. Mas acho que o nosso motorista estava inscrito no Grande Prêmio de Fórmula 1, porque às 3h50 da manhã ele nos "gentilmente" depositou na rodoviária de Ubatuba. Imagine a cena: tudo fechado, sem banheiro para lavar a "inhaca" do sono e a dona da pousada em seu sono de beleza (com toda a razão).



O que dois nômades fazem? Sentam e choram? Jamais. Botamos a mochila nas costas e resolvemos andar. Olhamos no Google Maps e vimos que tinha uma praia ali perto, mais ou menos há 29 minutos da rodoviária. Atravessamos o bairro Umuarama e tivemos o primeiro choque: Ubatuba é de uma paz absurda. Zero clima tenso, só a gente e o silêncio. No caminho, encontramos a Igreja de São Francisco que surgiu como um monumento à nossa falta de sono. Belíssima, com suas duas torres enormes e um revestimento de pedras, ela nos lembrou que a beleza mora nos detalhes simples... especialmente quando você não tem onde sentar.


Igreja São Francisco
Igreja São Francisco

Tour de Patinete: Versão Teletubbies Radicais


Foi aí que encontramos os nossos "possantes" do fim de semana: patinetes elétricos. Alugamos dois e a diversão começou.

Nota para o seu bem-estar: Nunca, em hipótese alguma, use uma bag lateral em um patinete. Eu quase virei um meme humano tentando equilibrar o peso enquanto tentava parecer descolado (spoiler: não deu certo). Vá de mochila ou aceite que o patinete vai tentar te derrubar estilo "luta livre". (Carlos)

Nossa primeira parada oficial foi na Praia de Iperoig (Cruzeiro). Segundo a CETESB, ela é imprópria para banho, mas para quem estava acordado desde o dia anterior, o que importava era o show visual. Assistimos ao primeiro nascer do sol no Farol do Cruzeiro, construído no período colonial para guiar pescadores (e agora, para guiar turistas perdidos). Ver o sol nascer ali, onde o rio encontra o mar, é literalmente ver a vida nascer em versos. Sem buzinas, sem gritaria, só o som das ondas — um luxo que SP não oferece.




Praia de Iperoig
Praia de Iperoig

Café da Manhã e Hospitalidade (Nina, a Estrela)


Depois de rodar a orla estilo Teletubbies, paramos para o café da manhã na Casa do Pão. Gastamos uns R$ 35,00 por um pingado e um misto quente — a inflação do turismo não brinca em serviço, mas o estômago falava mais alto que a razão.


Finalmente, fomos para os Chalés Malui. Lá, a Elaine e a cachorrinha Nina nos receberam com um sorriso que curou até o nosso cansaço. A Elaine nos deu alguns mimos de boas vindas dentre eles um folder: “102 razões para você voltar”. São 53 praias no sul, 30 no norte, 20 ilhas... Ali caiu a ficha: você não visita Ubatuba, você começa um relacionamento sério com ela.



Do Agito ao Paraíso (e o meu medo de mar)


Tomamos aquele banho sagrado e fomos ao Perequê-Açu. Estava lotado, com aulas de surf e banana boat. Mas o cheiro forte de peixe e a convenção de urubus por ali nos fizeram dar meia-volta. Seguimos para a Praia do Félix.



Confissão importante: Eu (Carlos) não sei nadar e tenho um pavor genuíno de me afogar. Se eu vejo uma onda, eu já me despeço da família. Mas o Félix? Ah, o Félix é o paraíso dos medrosos! Mar calmo, raso, cor de esmeralda. Dá para caminhar uma eternidade com a água na cintura e ainda se sentir o Aquaman. Ficamos lá até a tarde, voltamos exaustos e, claro, o universo nos mandou um brinde: meu chinelo estourou no asfalto quente. Se você nunca andou com um pé descalço no asfalto ao meio-dia, você não conhece a verdadeira dor.



Oscar Freire Caiçara e o Momento Rock n' Roll


À tarde, exploramos o Centro Histórico. Passamos pela Ilha dos Pescadores, que é a alma da cidade em estado bruto . Logo depois, fomos ao Ubatuba Mall, o shopping a céu aberto que os locais chamam de "Oscar Freire de Ubatuba". E olha, faz todo o sentido!



Casa Cultural Fundart
Casa Cultural Fundart

E claro, no meio desse charme todo, paramos para a nossa dose de felicidade gelada na famosa Pistache Gelateria . Tomamos sorvetes magníficos que valeram cada centavo depois daquele calor intenso. É o tipo de parada obrigatória: você está ali, cercado por luzinhas, casarões históricos e aquele gelato que parece um abraço no estômago.



Demos a sorte de trombar com um Encontro de Carros Antigos. Tinha food trucks, artesanato e uma banda tocando clássicos do rock. Cantar Zombie sentindo o vento no rosto e comendo um sanduíche artesanal divino foi o momento em que esqueci até que meu chinelo tinha morrido em combate.


Domingo de Despedida (e Educação de Outro Planeta)


No domingo, checkout feito e malas no patinete. Passamos pelo letreiro "Eu ❤️ Ubatuba", pela correnteza do Tenório (onde as ondas decidem quem manda) e pela imensidão da Praia Grande.



Um parêntese necessário: a educação no trânsito de Ubatuba. Em São Paulo, a faixa de pedestre é apenas uma sugestão artística para o motorista te ignorar. Em Ubatuba? Você pisou na faixa, os carros param como se estivessem vendo uma autoridade. Quase chorei de emoção. Almoçamos perto da rodoviária e, num último golpe de sorte, antecipamos a passagem e voltamos para a selva de pedra.



No fim das contas, Ubatuba nos ensinou que as melhores estrofes da vida são escritas sem rascunho. Entre o refrigerante de 12 reais, o chinelo estourado e o mar cristalino do Félix, descobrimos que viajar não é sobre o destino final, mas sobre a coragem de desembarcar no escuro às 3 da manhã e caminhar até o sol nascer.


Deixamos a cidade com o sal na pele e a alma recarregada. Ubatuba não é apenas um ponto no mapa; é um estado de espírito onde a gente se perde para se encontrar. Voltamos para São Paulo com uma certeza: a próxima loucura já está sendo escrita. E que ela nos leve, mais uma vez, para onde o sol nasce em versos.

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